Não terá fogos de artifício

… E então você está numa sala cheia de amigos e conhecidos, e então entra um cara, o mais charmoso que você já viu. Você olha em direção dele, e ele na sua, e seus olhares batem, e por um minuto parece que só existe você e ele. Qual será o nome desse cara? Ele com certeza é a sua alma gêmea. E então ele se aproxima, e fala algo com você. Vocês riem um pouco, e então quando ele pega na sua mão pra cumprimentar, faíscas explodem, e parece que todos notam a evidente química entre vocês dois.

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Se é assim que você imagina que vai encontrar o seu futuro marido, você provavelmente está enganada. Não que isso não possa acontecer, mas as chances são mínimas ou quase inexistentes. E minha querida amiga, você provavelmente nem sentirá uma química irresistível na primeira ou primeiras vezes que se encontrarem ou se falarem.

Querida amiga solteira, o amor não é algo que vem num papoco. Não é algo que vai fazer com que os seus dedos do pé sintam corcegas, ou seus joelhos ficarem fracos, não vai dar um nó na barriga, e não vai vir a você de repente. Isso não quer dizer que você talvez não sinta nada por um cara que mostre interesse em você, mas muitos casos de amor cristão, não acontecem dessa forma.

Como o título de um livro em inglês escrito pela Janette Oak, “Love comes softly,” as vezes o amor vem suavemente, vagarosamente. Quando você percebe, você já ama a pessoa não por algo superficial como a atração inicial, mas por algo significativo e profundo.  As vezes por conviver com uma pessoa, seus interesses e alvos se moldam, e pode acabar percebendo que tem mais em comum do que quando se conheceram ou do que achavam que tinham. O amor é uma decisão. Não podemos esquecer disso. A paixão que sentimos, é uma emoção. Essa química que falam e que é ilustrado tanto em filmes, contos de fada, livros e seriados não é algo duradouro e com certeza não é o suficiente para construir um casamento.

“Mas Lydia, um casal de amigos meus, se conheceram e a história de amor deles foi quase um conto de fadas.” Respondo: você já perguntou à eles quanto tempo essas “faíscas” duraram? Quão trabalhoso é pra todo dia acordar e ainda estarem casados com o seu cônjuge? E quando o cônjuge faz algo para os magoarem, ainda tem as faíscas? Ou é algo que eles lutam constantemente, para decidir amar o seu cônjuge mesmo tendo o/a magoado(a)? Esses casos que começam com aquela química, aquele papoco, raramente vão durar assim. Ao passar do tempo, com a convivência do dia-a-dia e as coisas mundanas, as desavenças que sempre tem quando dois pecadores se encontram, a química e as faíscas, irão desaparecer. Essa química não é amor, é paixão.

Não adianta se apaixonar por alguém por causa da química, por charme, por romance, por ser estudioso, por ser rico, por ser boa de lábia, por ser engraçado.

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Ao invés disso, e se apaixonássemos porque percebemos que o futuro que poderíamos ter juntos honraria e glorificaria a Deus? Se apaixonássemos porque percebemos que servimos juntos nos mesmos ministérios, porque temos os mesmos desejos e aspirações, os mesmos interesses e alvos de vida? Podemos decidir amar a pessoa porque vemos que curtimos gastar tempo juntos, que temos objetivos de vida parecidos, que temos desejos semelhantes, e quando então escolhemos comprometer-nos as emoções podem vir, ou não.

A falta dessa química não deveria ser motivo por recusarmos alguém. Se um rapaz que você conhece mostra interesse em você, se esse rapaz for Cristão, servo fiel, trabalhador, e você o recusa, simplesmente porque você não sente um nó na barriga, minha irmã, você pode estar cometendo um erro gravíssimo. Você precisa de uma desculpa melhor do que a falta de química. Como disse uma sábia amiga minha:

não se pode rejeitar alguém porque não se tem um sentimento inicial, tem que avaliar, ter critérios pré definidos. Até porque o sentimento inicial pode nos enganar também e nos fazer decidir sem critérios…

Para isso, encorajo todos nós a termos uma lista de nossos alvos e aspirações, e também de qualidades que desejamos que o nosso futuro marido tenha. Isso servirá não somente para combater e fundamentar quando alguém perguntar por que não temos interesse em determinado rapaz cristão, mas também para nos proteger de “apaixonarmos” por alguém que não seja o que estamos realmente querendo ou esperando.

Muitas vezes, nem terá faíscas iniciais. Mas ao passar do tempo, ao se conhecerem melhor, quando as perspectivas, caminhos e propósitos se alinharem, as faíscas podem aparecer ou não. Mas não feche a porta antes de avaliar se realmente seriam bom parceiros de vida.

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