Doce ou Amargo?

       Meu pai sempre diz que existe dois tipos de pessoas idosas. Aquelas que são doces e que envelhecem com ainda mais doçura, e aqueles que são pessoas amargas durante a vida toda e que se tornam aqueles velhos ranzinzas e resmungões. É a mesma coisa com as pessoas solteiras também. No ensino médio, na minha escola tinha várias solteironas. Algumas mais velhas do que as outras, e algumas mais amargas que as outras. Tinha alguns poucos que eram doces. Mas tinha uma em particular que comecei a respeitar por alguns motivos.

       Ela era amarga, e maldosa com os alunos. Parecia que gostava de tratar mal os seus alunos por conta da raiva dela contra Deus, seja por ela ser solteira ou por qualquer motivo. Então ela viajou e ficou fora por mais ou menos um ano. Quando ela voltou, era outra pessoa. Ela começou a mostrar interesse nos seus alunos e em ter um pouco mais de paixão pelo ensino. Ela se tornou até divertida estar por perto, e mesmo que ela tinha alguns hábitos estranhos, ela se tornou uma das minhas professores favoritas, não porque ela tinha as aulas super divertidas mas por que você podia notar que ela gostava de estar lá.

       Qual era a diferença? Não sei exatamente, mas creio que ela mudou a sua atitude em relação ao ser solteira e em relação a vida em geral. Ela começou a mudar não somente as suas atitudes, mas fisicamente também. Ela começou a perder peso, e a ter mais interesse por sua aparência. (É verdade o que dizem: a nossa atitude mostra no físico.)

       Alguns anos atrás, eu pensei que fosse me tornar esposa. Tinha um namorado já há muito tempo, (praticamente estávamos noivos). Estávamos planejando entrar no ministério integral, e eu amava o ministério que eu tinha com algumas moças da igreja. Pensava que iria ter o “final feliz” que tantas moças esperam e desejam. Mas quando o meu relacionamento chegou a um fim abrupto, parecia que o meu mundo e a minha alegria tinham desmoronado. Honestamente, o meu relacionamento e o meu “final feliz” eram mais importantes que o meu relacionamento com Cristo. Tinham se tornados os meus ídolos.

       Depois que fiquei solteira, levou um tempo até achar que estava contente em estar solteira e com quem eu era. Minha autoestima voltou e o meu relacionamento com Deus tomou novos rumos. Mas um dia, enquanto lia alguns registros no meu diário de oração, pude ver que ainda não estava contente. Estava constantemente pedindo que Deus mostrasse quem era o “rapaz certo” e pedindo que Deus me ajudasse a ser uma boa esposa. Não acho que tenha algo errado em pedir essas coisas, mas esse tipo de oração era constante, e parecia ser o assunto mais orado. Ainda estava descontente em ser solteira. A ideia de ser casada ainda era um ídolo do meu coração. Sabia que algo tinha que mudar, ou então iria ser uma solteirona ranzinza, descontente porque as minhas expectativas erradas de Deus não se realizavam.

       Decidi então, que nas minhas orações eu não iria focar no futuro e que Deus mostrasse a sua vontade. (Ele já tinha deixado claro a sua vontade na sua Palavra.) mas que eu pudesse ter um coração contente, agora, no presente. Comecei a orar que eu podesse crescer em amor e em conhecimento de Cristo. Antes, eu tratava o meu diário de oração como uma maneira de me abrir com Deus sobre os meus desejos e anseios, então foi difícil quando decidi tratar mais como uma maneira de louvar a Deus pelo o que tem feito por mim, por quem ele é, e de poder registrar as coisas que tenho aprendido sobre ele, ao invés de choramingar, reclamar e pedir por coisas que o meu coração egoísta e mimada quer.

       Ainda luto em estar contente todo dia. Adoraria ter minha própria família, ter meus filhos que posso ensinar os meus costumes e modos, e que eu poderia amar, mas talvez isso não esteja nos planos de Deus pra minha vida. Talvez, uma Lydia solteira é a Lydia que está nos planos de Deus. Ele me conhece bem, e se o seu plano perfeito pra mim é ser solteira pro resto da minha vida, com certeza posso estar contente e encontrar a alegria na solteirice.

       Decidi mudar minha atitude para a solteirice. Foi uma decisão proposital. Era o que precisava fazer em obediência a Deus. Luto diariamente; alguns dias são mais difíceis que outras. A solidão aparece principalmente quando vejo todos os meus irmãos casados e com suas famílias, ou quando fico de “segura vela” com todos meus amigos em uma festa, ou as vezes quando quero alguém pra compartilhar as dificuldades e alegrias da vida. Através da minha solteirice, creio que Deus tem me feito crescer mais, do que se eu estivesse em um relacionamento. Posso usar mais do meu tempo para crescer em meu relacionamento com Deus, e por causa da minha vulnerabilidade e solidão, dependo mais em Deus.

       A vida é doce, mas é doce porque eu decidi fazê-la doce. Decidi estar satisfeita em Deus e focar no que ele tem feito por mim.

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